Review: O Golpe: The Drop

Por: Helena Rodrigues

Bob trabalha no bar do seu primo Marv, numa zona onde o crime se esconde nas ruas à vista de todos, mas do qual ninguém fala. É nesse bar, onde o caricato e misterioso Bob trabalha, que é entregue dinheiro sujo, que mais tarde é recolhido por aquele que controla as ruas, Chovka.

Comecei a ver este filme sabendo muito pouco, tendo apenas uma pequena lembrança de um trailer que vira há alguns anos. Essa foi uma das maiores vantagens. Fui imediatamente surpreendida pela interpretação de Tom Hardy no papel de “Bob”. Um sujeito que aparenta pouco à vontade no que diz respeito a socializar com os outros. Contido, calado, frio e indiferente ao mundo negro que o rodeia, deixa-nos com a pulga atrás da orelha. Mas pouco tempo depois, mostra-nos uma faceta delicada, devota e atenciosa quando adopta um cão encontrado no lixo e começa a mostrar interesse por uma mulher chamada Nadia que o ensina a educar Rocco.

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Mas não é apenas a história de Bob – e a sua maneira de lidar com o bem e o mal –  que nos prende, é também a sua relação com o primo Marv, encarnado pelo excelentíssimo James Gandolfini. Marv foi alguém intimidante noutros tempos, agora, serve apenas de lacaio. A relação de Marv e Bob vai descortinando subtilezas e segredos ao longo do filme. É neste contexto que Gandolfini brilha, revelando-se a cada camada, colocando-nos a semente da dúvida sobre as suas intenções.

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A polícia que anda nas ruas é discreta. Não arromba portas, nem tortura criminosos para confissões, mas anda por perto, à procura da verdade. Curiosamente, o Detective Torres, que se cruza com Bob na hora da missa, também se cruza com ele em vários momentos da história criando uma espécie de contraste entre o que é certo e errado no mundo de Bob.

Os diálogos são muito bons. Desde conversas sobre braços decepados à indicação de que no Brasil se fala português e não brasileiro – obrigada, Gandolfini!

Em termos visuais, muito bem filmado, incluindo os momentos em que vemos Hardy a representar com pequenas subtilezas físicas o seu verdadeiro âmago, mas nunca revelando anda por completo. É isso que nos deixa agarrados, porque a qualquer instante pensamos: “queres ver que é agora que ele se passa?“. E mais não digo. Recomendo.

Review: O Golpe: The Drop – Por André Gomes

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