Review: Logan

Uma experiência comprida, mas cumpridora, de uma das mais fortes e complexas histórias do mundo dos super-heróis. Apresenta-se “Logan”.

Eu fui na passada 5ª feira, à estreia do filme ao cinema.

O que dizer sobre o filme?

A história passa-se num futuro muito distante da realidade apresentada na conclusão de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Os mutantes estão praticamente extintos, restando apenas Wolverine e Charles Xavier, que vivem isolados à espera de poderem descansar das aventuras atribuladas. Mas uma inesperada visita, coloca os dois numa última aventura juntos para salvar a vida de uma jovem mutante. Logan, está debilitado fisicamente, esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela, uma mexicana que precisa da sua ajuda.

Querendo ou não, Wolverine faz parte da vida dos cinéfilos desde 2000. São 17 anos de “convívio” com o personagem. Isso não significa que os marinheiros de primeira viagem não consigam apreciar Logan, claro. A obra funciona perfeitamente para quem nunca ouviu falar de X-Men antes. Só que o impacto emocional será menor, obviamente.

Logan consegue se destacar por apresentar um arco dramático incomum nas produções da Marvel. Existe uma relação paternal muito forte entre Wolverine e Xavier, que nos faz olhar de um jeito diferente para as cenas em que os dois contracenam juntos nos filmes anteriores. A profundidade da conexão e do amor entre os dois fica explícito pela primeira vez.

logan-xavier

Mas para fortalecer isso, o argumento brilhante trabalha muito com a questão da velhice e os seus efeitos. Xavier entra em cena num estado lastimável, que dá um maior aperto no nosso peito. Na medida em que a história desenvolve, nós vamos descobrir sem que a história entre em detalhes , que algo muito mau aconteceu e que o Professor X está a sofrer com uma doença degenerativa. Logan é o único mutante que restou para cuidar dele, mas Logan também está a lidar com os seus próprios problemas: Além de ter envelhecido, o seu poder de regeneração não funciona como antes. Somado com o trauma e a tristeza e com a condição de Xavier, Wolverine começa por demonstrar a sua insatisfação com a elevada percentagem de álcool consumida.

A introdução de Laura foi feita de maneira suave, ela ganhou o seu espaço aos poucos e a influência da sua personagem foi aumentando no decorrer do filme. A interação entre Logan, Xavier e Laura cresce na medida do filme e parece que estamos a fazer parte de tudo aquilo, que estamos ao lado deles.

Hugh Jackman não assinou por mais nenhum filme para interpretar a personagem que ao longo de 17 anos nos deixou sempre com um brilho nos olhos de cada vez que aparecia no grande ecrã. E mais uma vez, esteve brilhante como só ele consegue retirar do boneco aos quadradinhos e transpor para a vida real, como é Logan/ Wolverine.

Patrick Stewart, além das parecenças físicas inegáveis com o Professor Charles Xavier da BD, também ele a par de Hugh Jackman conseguiu interpretar a personagem na perfeição em todos os filmes e neste principalmente a merecer destaque.

dafne-keen-in-logan-movie-qu

Dafne Keen foi uma escolha acertada, ao interpretar Laura, apesar das poucas falas, ela tem uma atuação gigante e a linguagem corporal dela é incrível. São caras, bocas e gestos que nos fazem lembrar o bom e velho Wolverine, mas na versão feminina, nota-se um cuidado para que, além de uma pequena máquina de matar, também seja uma criança, com comportamentos e atitudes condizentes com a idade e que só a tornam mais carismática. Impossível não gostar desta personagem.

E nós vamos, aos poucos, entrar neste universo. As emoções alternam durante o filme, vamos desde a empolgação, passando pela apreensão e tristeza.

Logan é, desde já, um dos filmes obrigatórios de 2017. Vale a pena o dinheiro no bilhete.

Por: André Gomes

VER TRAILER

Anúncios