Review: Power Rangers

Ora, quando se fala em Power Rangers, é falar um pouco da infância de muitos de nós.

power rangers

Eu falo por mim, os Power Rangers fizeram parte da minha infância, aquela série que não perdia um único episódio aos fins de semana de manhã.  E como tal, foi obrigatório ir à estreia do filme no cinema. Pois nos anos 90, era uma criança que acompanhava bastante as séries televisivas e os Power Rangers era uma que na altura me fascinava.

Acompanhei várias temporadas, vi até ao Power Rangers Turbo, depois deixei de acompanhar, pois já estava a “estragar” o bom que era. Mas a minha temporada preferida foi, sem dúvida, a primeira: Mighty Morphin Power Rangers.

O filme começa 65 milhões de anos no passado, quando os dinossauros reinavam na Terra – aí está o porquê dos Zords representarem dinossauros. Mas no planeta há visitantes quando alienígenas liderados por Rita Repulsa chegam à Terra em busca de um cristal responsável por toda a vida no universo; os membros da geração passada de Power Rangers que foram derrotados no meio de uma guerra. Isso faz com que o Ranger Vermelho anterior enterre as moedas do poder esperando o próximo grupo de escolhidos que enfrentarão o mal que os destruiu.

Aqui, o realizador fez muito bem em fazer esta explicação – o surgimento dos Power Rangers – dando aqui mais qualidade nos conteúdos em relação à série. Digamos que a série estava direccionada a um público alvo – as crianças – com o filme, fizeram uma adaptação para que possa envolver um público mais abrangente. Passando esta fase introdutória, saltamos uns passos no tempo, para o ano actual.

O filme tem um discurso interessante de inclusão social e todos os protagonistas se encontram em momentos em que as suas vidas estão viradas do avesso. Ao contrário da série, onde os protagonistas eram os protótipos dos adolescentes ideais, o quinteto desta nova versão são jovens isolados e em busca das suas próprias identidades, o que os torna mais reais e, por consequência, mais interessantes que as personagens da série.

Dacre Montgomery (Jason Scott/Ranger Vermelho) era a vedeta da sua antiga escola como jogador de futebol que foi preso por uma brincadeira, RJ Cyler (Billy Cranston/ Ranger Azul) é o nerd, autista, que sofre a perda do pai, Naomi Scott (Kimberly Hart/Ranger Rosa) era popular até cometer um erro e agora vive entre a culpa e o ódio, Ludi Lin (Zack Taylor/Ranger Preto) é impulsivo para esconder a tristeza pela doença da sua mãe e Becky G (Trini Kwan/Ranger Amarela) é a recém-chegada na cidade com problemas de comunicação.

Os destaques no elenco jovem para mim são: “Billy” de RJ Cyler e a “Trini” de Becky G. Enquanto Cyler (Billy Cranston/Ranger Azul) faz um ótimo retrato de um jovem autista, ao mesmo tempo em que constrói um Billy com um coração do tamanho do mundo, e nos momentos de gargalha que o filme também oferece, ele está no centro desses momentos. Becky G (Trini Kwan/Ranger Amarela) entrega uma Trini que se mostra necessitada por alguém que a entenda, encontrando isso nos seus novos amigos.

Dacre Montgomery (Jason Scott/ Ranger Vermelho), Ludi Lin (Zack Taylor/ Ranger Preto) e Naomi Scott ( Kimberly Hart/ Ranger Rosa) também se saem bem, esta última destacando-se mais a meio do filme. Além dos cinco jovens, Bryan Cranston e Bill Hader foram muito bem escalados como Zordon e Alpha 5.

O treino é interessante. Quando os cinco miúdos começam a ver que estão mais poderosos, têem de lidar com essa mudança radical nas suas vidas, e como tal, tiveram que treinar para aperfeiçoarem os seus dotes de combate e melhorar a forma física, treino esse, dado pelo Alpha 5. Quando eles finalmente vestem as armaduras e vão enfrentar os inimigos liderados por Rita Repulsa, as cenas de acção são muito boas.

A actriz mais conhecida do elenco, Elizabeth Banks, como vilã, a representar Rita Repulsa, esteve muito bem. Está bem caracterizada, é excêntrica. Está um bom retrato adaptado aos dias de hoje da Rita Repulsa da série. Goldar, também está aqui representado, a criação da sua fiel “mestre” Rita Repulsa. Este Goldar, também ele está diferente da série. Está muito mais durão, mais assustador, não tem rosto e é formado à base de ouro.

E apesar da banda sonora deixar a desejar ao longo de todo filme, quando ouvimos “Go, Go Power Rangers” é difícil não empolgar. O momento nostálgico surge, perto do final…quem viu a série original vai gostar muito disto a que me refiro. Esta versão tenta actualizar a série televisiva, e com sucesso. Está muito bom. Sinal positivo, sem sombra de dúvidas.

NOTA: O filme tem um after credits igualmente bom, portanto não saiam da sala antes de tempo.

Por: André Gomes

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