REVIEW: LIFE – VIDA INTELIGENTE

Arrisquei ver o filme “Life – Vida Inteligente”, por achar que seria uma versão soft e light de “Alien: Covenant”, mas ainda assim, um filme que merecia ser visto no cinema, mas acabei por ver uma versão “Matiné Tardes da SIC”.

O filme começa com uma equipa espacial a tentar recuperar amostras de solo trazidas do planeta Marte, que devido a um incidente na estação espacial, poderiam ter-se perdido para sempre no espaço – o que mais valia ter acontecido. Começa uma cena longa e contínua, sem edição, da qual eu já tinha ouvido falar. É como se estivéssemos dentro da estação a ver a equipa a trabalhar e a comunicar entre si, com intuito de nos dar uma sensação de claustrofobia e acima de tudo, criar a sensação real de como é a vida dentro de uma estação espacial. Nada a apontar até aqui. As imagens estão bem conseguidas. São credíveis e relembram um pouco o filme “Gravidade” com Sandra Bullock e George Clooney.

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Assim que as amostras ficam são e salvas dentro do laboratório da estação espacial, deduzimos que a trama vai começar a intensificar-se e que aos poucos vamos conhecendo, em profundidade, cada um dos personagens. Infelizmente, isso não acontece.

Ter actores como Ryan Reynolds e Jake Gyllenhaal e não aproveitar ao máximo as suas capacidades é um erro enorme e é, a meu ver, uma das grandes falhas no filme. Reynolds interpreta “Rory”, que, espantem-se, é um tipo que está sempre a dizer piadolas para aligeirar o ambiente. Onde é que já vi isto antes? Bem sei que o Deadpool anda na berra ultimamente, mas vamos tentar não resumir Reynolds a uma única personalidade. Jake Gyllenhaal é “David”, um homem que vive há demasiados anos no espaço, e que revela preferir estar longe da nossa civilização pelo mal que fazemos uns aos outros. Talvez, o personagem “irónico” deste filme, e como já referi, muito mal aproveitado. O seu papel é apresentado muito ao de leve, muito à superfície, o que acaba por ser uma desilusão quando sabemos tudo o que Gyllenhaal nos pode oferecer.

O filme é previsível do princípio ao fim. Já sabemos o que vai acontecer desde o momento em que decidem “acordar” a criatura marciana, o que vai acontecer membro após membro daquela tripulação, até aos últimos instantes do filme. Não há surpresas, mas podemos sempre contar com entretenimento. Assim que se espalha a notícia de que a equipa de astronautas encontrou vida alienígena, as crianças da Terra decidem nomeá-la de “Calvin”. Aquele nome fofinho para contrastar com um ser assassino. Quanto ao Calvin, não esperem efeitos CGI brilhantes. No início chega a ser decepcionante o aspecto que resolveram dar a Calvin, assemelhando-se a uma pequena estrela do mar, que eventualmente se torna no que parece ser um… polvo? É certo que não tem o mesmo dramatismo que Alien, isso já eu sabia, mas ainda assim, esperava mais.

Não há tensão, não há impacto e não há drama. É uma história sobre um extraterrestre maligno bastante linear e previsível, com actores que parecem ter sido escolhidos para chamar mais pessoas ao cinema. E eu caí que nem uma patinha, confesso.  Sendo o título original do filme “Life”, pensei que podíamos chegar a alguma espécie de conclusão moral ou filosófica sobre o sentido da nossa vida como seres humanos. Mas a única conclusão a que se chega é que trazer seres vivos de outro planeta que começam a crescer a cada dia que passa, é mau. Insecticida para cima disso, logo.

Se já leram até aqui, não me interpretem mal, o filme não é péssimo. É divertido e é entretenimento, mas é o tipo de história que pode muito bem ser vista num domingo à tarde quando sentimos aquela ronha a chegar.

Por: Helena Rodrigues

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