REVIEW: O JARDIM DA ESPERANÇA

As invasões alemãs e a perseguição aos judeus são ainda hoje uma temática muito relembrada no cinema. Apesar de ser um tema que muitos de nós já conhecem, a chegada de um novo filme acerca do assunto não parece, no entanto, despropositada. A razão por que isso acontece é simplesmente pelo facto de, a cada nova história contada, é-nos dado a conhecer o espírito resiliente de mais pessoas, seja daquelas que sobreviveram a um período terrível e injustificável, ou daquelas que arriscaram as suas próprias vidas para salvar a vida de muitos e se mostrarem contra uma política terrorífica que ainda hoje tem repercussões.

“O Jardim da Esperança” conta a história de Antonina e Jan, donos de um jardim zoológico em Varsóvia na Polónia que, aquando as invasões alemãs, viram o seu lar e fonte de rendimento ser usado como base de mantimentos para o exército hitleriano. Incapazes de fecharem os olhos e o coração aos amigos e desconhecidos que definhavam no gueto a cada dia que passava, decidiram acolher judeus no seu zoo às escondidas de todos, salvando 300 vidas durante um regime atroz.

É curioso ver a actriz Jessica Chastain no papel da polaca Antonina, sendo ela americana. Ao seu lado, no papel de marido Jan, está o actor belga Johan Heldenbergh e para completar a trama, o actor espanhol Daniel Bruhl. São três nacionalidades diferentes que muito bem equilibram o cenário que vemos, não havendo qualquer distinção de origens.

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Como já é habitual, Chastain rouba as atenções do principio ao fim. A sua elegância, subtileza e encanto na sua interpretação é o que mais nos cativa para a história e para as pessoas ali retratadas. O seu amor, carinho e dedicação demonstrado pelos animais do zoo é absolutamente encantador. É uma dedicação maternal que Antonina transfere para aqueles que acolhe no seu lar.

Não há muito a contar sobre o enredo, porque a base já a conhecemos, mas há muito a ser transmitido. A dor, o medo, o rebelião e o ódio por tudo aquilo que consideramos inconcebível está lá. Conseguimos sentir a mágoa e o trauma espelhado em cada uma das personagens, numa em particular, que representa infelizmente a destruição de tudo o que é puro. Mas que, no fim, representa a esperança.

Apesar deste filme nos transportar novamente para um passado negro, consegue a proeza de nos descansar e fazer sorrir, porque é mais uma prova de que o mundo não está apenas cheio de pessoas más, também há muitas pessoas boas e as histórias dela também merecem ser contadas.

Por: Helena Rodrigues

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