REVIEW: MULHER MARAVILHA

Tive ontem a oportunidade de ir à estreia do filme “Mulher Maravilha” da Warner Bros e da DC Comics. Fui à sessão das 20h50, a sala inicialmente estava a meio gás, quando começaram a dar os trailers dos filmes, mas quando o filme começou a sala ficou muito bem composta.

A realizadora do filme, Patty Jenkins, é mais conhecida por realizar séries do que filmes, mas na minha opinião fez um trabalho muito bom em apostar no filme e na sua realização.

75 anos após a sua primeira aparição nos quadradinhos, a Mulher-Maravilha finalmente ganhou a adaptação cinematográfica que merecia. O filme cumpre muito bem o papel de apresentar formalmente a heroína e também situá-la na cronologia do atribulado universo cinematográfico da DC.

Patty Jenkins entrega um filme divertido e cheio de charme, características que certamente o separam das recentes versões para o cinema de propriedades da DC.

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Há material suficiente dos quadradinhos para não alienar os fãs de longa data, mas é completamente desnecessário qualquer conhecimento prévio para apreciar a aventura.

A história de Diana Prince passa-se na ilha de Temyscira, é interessante, também, como o design de produção decide representar Temyscira como um lugar colorido, claro e alegre justamente para reforçar a diferença com o mundo dos “homens” na primeira grande guerra. Diana (Gal Gadot) é a princesa das Amazonas, treinada pela sua tia Antiope (Robin Wright) para ser uma guerreira invencível, sempre sob o olhar vigilante da sua mãe, a Rainha Hipólita (Connie Nielsen). Quando o espião americano Steve Trevor (Chris Pine) acidentalmente cai na ilha, ele conta às Amazonas o grande conflito que ocorre no mundo do patriarcado, que conhecemos como Primeira Guerra Mundial. Guiada pelo desejo de proteger os inocentes, Diana parte para tentar parar o conflito, convicta de que Ares, o deus grego da guerra, está envolvido neste confronto global.

O relacionamento entre Diana e o Steve Trevor de Chris Pine é outro ponto forte da narrativa. Gadot e Pine exalam uma inegável química durante toda a produção, com o crescendo no relacionamento dos personagens onde se desenrola de maneira apaixonante, embora haja um desentendimento digno de comédia romântica no final do segundo acto.

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O filme traz de forma orgânica e nada impositiva a mensagem de que a Princesa das Amazonas veio ao mundo para passar a necessária igualdade de género num mundo machista, patriarcal e que historicamente sempre subjugou a mulher. Isso fica evidente nas cenas em que a mera presença de Diana numa sala cheia de homens é vista com incredulidade e repúdio pelas “autoridades” presentes, sendo esse um dos vários exemplos. Essa, é a parte não-ficcional de Mulher-Maravilha.

O filme também surpreende em termos de acção. Contando com coreografias incríveis e sequências de luta empolgantes e bem dosadas ao longo da projecção consegue efectivamente colocar Diana Prince como uma heroína forte e ágil. A vestimenta da Mulher-Maravilha está muito bem feita, adequando aos tempos modernos mas não fugindo da linha da BD.

Quando a Mulher Maravilha se encontra no meio da guerra decidida a derrotar Ares, Diana usa o seu escudo para enfrentar inimigos armados até os dentes, inspira quem pouca esperança tem, pontapeia e corta sem dó os seus oponentes com a sua espada e tudo isso é feito dignamente. Parece uma dança mortal, com efeitos especiais muito bem aplicados. Ela conta com a ajuda de Steve Trevor e mais dois companheiros, conhecidos de Steve para conseguir esse objectivo. Destaque para o veterano actor escocês Ewan Brenner (o Spud de “Trainspotting”) como um atirador de elite que sofre da síndrome de stresse pós-traumático.

Ares, já falei bastante dele, o principal vilão da história o Deus da Guerra. Onde ele aparece no meio dos humanos, o filme ganha muitos pontos, pois o vilão não é óbvio, tem o factor surpresa e surpreende mesmo. Deixo essa incógnita no ar para quem for assistir ao filme.

Há uma clara preocupação na mensagem que se quer transmitir. E o melhor é que essa transmissão é bem sucedida. Talvez o filme da DC que mais gostei. Gal Gadot esteve muito bem no papel que lhe foi atribuído.

Por: André Gomes

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